O número de famílias paulistanas endividadas em novembro alcançou 1,656 milhão (46%) ante 1,471 milhão (41%) em outubro, aponta a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Fecomercio.
Se comparada com novembro do ano passado, quando as dívidas atingiam 49% das famílias do município de São Paulo, a taxa de endividamento neste mês está três pontos porcentuais mais baixa.
O maior endividamento é explicado, segundo Adelaide Reis, economista da Fecomercio, pela contínua concessão de crédito ao consumidor em novembro.
"Com o reaquecimento da atividade econômica, o mercado de trabalho e dos indicadores de renda mostram evolução favorável, contribuindo para a elevação do consumo e do endividamento, que tendem a continuar crescendo a taxas mais expressivas com a aproximação das festas", afirma.
Além disso, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) e o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), ambos da Fecomercio, apontam que o consumidor está mais seguro e confiante sobre os rumos da economia brasileira, revelando alta intenção de consumo, a maior da década.
"Tudo indica que este será o Natal das compras a crédito", observa Adelaide.
Já o número de famílias paulistanas com contas atrasadas (inadimplentes) manteve-se estável em novembro (14%).
"A taxa de inadimplência neste mês encontra-se entre as mais baixas desde o início da série histórica da PEIC em 2004", assegura Adelaide. "Os menores índices de contas em atraso foram observados este ano, nos meses de fevereiro (12%), outubro (14%) e novembro (14%)", acrescenta.
Entre os fatores que contribuíram para o nível estável da inadimplência (abaixo da média de 17% observada desde o início deste ano e também na média dos últimos 12 meses) destacam-se os indicadores favoráveis do mercado de trabalho, a renegociação de contas em atraso, com taxas de juros mais baixas, e a quitação de dívidas por intermédio da utilização de recursos do 13º salário
Já o total de famílias que acreditam não ter condições de pagar total ou parcialmente suas contas nos próximos meses aumentou apenas um ponto porcentual (de 5% em outubro passou para 6% em novembro), permanecendo estável em comparação com a média deste ano (6%) e dos últimos 12 meses (6%).
Caminho das dívidasO Natal das compras a crédito é confirmado pela PEIC. Os cartões de crédito e o cheque especial, cujas taxas de juros são as mais altas do mercado, constituem os tipos de dívida mais utilizados pelas famílias paulistanas em novembro. A pesquisa indica que os cartões de crédito respondem por 68% das dívidas assumidas em novembro contra 62% em outubro; os carnês representam 30%; o crédito pessoal 13% e o cheque especial 11%.
A PEIC mostra, em novembro, que entre as 1,656 milhão de famílias endividadas, 54% têm renda familiar comprometida com o pagamento de dívidas por até seis meses.
Outros 20% têm a renda comprometida com dívidas entre seis meses e um ano, enquanto que para 23% dos entrevistados, o prazo de comprometimento da renda familiar mensal com dívidas é superior a um ano.
Nota MetodológicaA Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) é apurada mensalmente pela Fecomercio desde fevereiro de 2004. Os dados são coletados junto a cerca de 1.360 consumidores no município de São Paulo. O objetivo da PEIC é diagnosticar o nível de endividamento e inadimplência do consumidor. Das informações coletadas são apurados importantes indicadores: nível de endividamento, percentual de inadimplentes, intenção de pagar dívidas em atraso e nível de comprometimento da renda. Tais indicadores são observados considerando-se três faixas de rendas, duas faixas de idade, distinguindo-se entre homens e mulheres. A pesquisa permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua percepção em relação à capacidade de pagamento, fatores fundamentais para o processo de decisão dos empresários do comércio e demais agentes econômicos.
Sobre a FecomercioA Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo) é a principal entidade sindical paulista dos setores de comércio e serviços. Representa 152 sindicatos patronais, que abrangem cerca de 600 mil empresas e respondem por 11% do PIB paulista - cerca de 4% do PIB brasileiro - gerando em torno de cinco milhões de empregos.